Ser treinador de futebol tem a ver com paixão pelo jogo e, ao mesmo tempo, paixão por trabalhar com pessoas. É um trabalho com muitas tarefas e muitos fatores, que leva a que o treinador viva o jogo através dos seus jogadores, seduzindo-os para a sua Ideia de Jogo, o seu Modelo, que cresce em cada treino e em cada jogo, de modo a ser identificado como um conjunto de comportamentos que o treinador ajudou a construir.

Apesar de ter a sua identidade, o Modelo é a substância mais importante que um treinador cria e desenvolve.

É missão do treinador passar o seu Modelo de Jogo para o grupo, mas, acima de tudo, estabelecer uma ideia entre os jogadores, que vai definir “o que somos como equipa”, muito mais do que “o que sou como treinador”. Esta ideia é suportada por valores que são permanentemente partilhados na equipa, que advêm muitas vezes do próprio clube, permitindo que nasça uma identificação e interpretação coletiva – a Identidade. Não tem a ver com a forma como jogamos, mas sim com a forma como existimos e queremos existir!

Ter um Modelo de Jogo é assumir uma Intenção e ter objetivos específicos e claros. Basicamente, o Modelo de Jogo faz-nos ser, existir e é por isso que podemos dizer “o que somos reflete-se na forma como jogamos e a forma como jogamos faz-nos ser o que somos”! É esta a relação entre Modelo e Identidade.

O Modelo é um guia aberto em permanente construção, ponto de partida para aquilo que queremos ser na forma como jogamos, porque o jogar em si já é algo concreto e está relacionado com comportamentos observados, com ação, com aquilo a que, se considerarmos a estratégia, podemos chamar Planos de Jogo. Falamos de comportamentos individuais, sectoriais, intersectoriais e coletivos, falamos de coisas que nos permitem jogar o jogo, sobre dinâmica. O Modelo marca as nossas intenções comportamentais, não necessariamente aquilo que fazemos, por isso também é legítimo que digamos que “nós somos aquilo que somos e não aquilo que nos acontece”!

Sala de Imprensa

Discutir o jogo, analisar, dissecar, comunicar. A sala de imprensa é o local para passar mensagens e onde o jogo, nas suas distintas variantes, deve ser discutido e debatido. Estes são alguns pensamentos expostos por Miguel Cardoso e que entroncam sempre naquilo que é fulcral: a Ideia de Jogo da sua equipa.

"Futebol Total"

À conversa com o Canal 11 no programa "Futebol Total" sobre a minha carreira, os tempos que atravessamos e desafios para o futuro.

Futebol e Pandemia

Os desafios que as equipas tiveram de enfrentar ao nível do treino durante o isolamento obrigatório, derivado da pandemia global de COVID-19, foram o tema de uma série de 5 reportagens produzidas pela Sport TV com base nas análises de Miguel Cardoso.

Deixemos as crianças brincar

Quando em abril de 2013 fui para a Ukrania e cheguei a Donetsk para coordenar a formação do FC Shakhtar Donetsk e treinar os sub-21, uma das coisas que me agradou foi o facto de que só a partir dos sub-12 havia equipas com competição formal e integrados na dinâmica de trabalho da academia. Havia uma outro espaço físico e pedagógico que permitia aos meninos brincar e aonde fui algumas vezes falar com os « treinadores ». Percebi que o espírito era completamente diferente, essencialmente de cariz social, no sentido de proporcionar a prática desportiva às crianças pertencentes a uma população pobre com muito pouca oferta desportiva e com um sistema de ensino pouco capaz também, aonde a educação física escolar não era mais do que uma visão de futuro. Podia ter alterado essa realidade e dar-lhe um caráter diferente! Não o fiz porque não quis e cada dia que passa, ao ver o que se passa em muitas « escolas de formação », a postura de muitos, a ação de alguns dos chamados « agentes desportivos » para com estas crianças me convenço do quão bem foram as opções tomadas na altura.

Recordo também que enquanto coordenador da « Escola de futebol Domingos e Rui Barros », que funcionava no Campo da Bateria em Matosinhos, e numa reunião com os professores de educação física que eram os que tinham função de dinamizar as atividades, um deles me disse ter um problema: « os meus meninos por vezes abandonam o grupo e vão brincar para a caixa de salto em comprimento, para a areia »! Sorri, naturalmente. Disse-lhe que não lhe ia dar de imediato a minha opinião, que pensasse e que falaríamos na semana seguinte. Assim foi. Nova conversa e ele interroga-me se eu achava que as aulas dele eram monótonas e o que faziam não interessava por vezes aos alunos ... Fiquei contente! Tinha chegado ao ponto que a minha provocação queria que ele atingisse! E assim conclui: « que necessidade pensas estarem a cumprir aqueles crianças que procuram a areia para construir castelos, mesmo durante as tuas atividades? », « de brincar certamente »! Ponto de partida para uma viagem transformacionista que aquele professor iniciou. Fazer com que o futebol permitisse a crianças usarem o que de tão bom este jogo e as suas formas adaptadas têm, a bola, a interação, a competição, o jogar, a atividade física, para cumprir algo tão intrínseco à criança: brincar. Apenas brincar!

Deixemos as crianças brincar, ao que quiserem, na rua, nos recreios, nos espaços o mais informais que encontrarmos e aonde os possamos levar se assim tiver que ser, sem que aos 9 anos já saibam os nomes de todos os jogadores de futebol, e acima de tudo possam saber os nomes de todas as crianças vizinhas, o cheiro da terra, o frio da chuva, o escorregar da lama, a cor do sol ao longo do dia, e o chorar de alguma coisa que « na rua » não correu bem!

A propósito...

Bayern de Munique vai acabar com as equipas de U9 e U10

O BAYERN MUNICH anunciou que estão terminar as suas equipas Sub-9 e U10, o que significa que o nível de entrada na Academia estará em U11s a partir do verão de 2022.

Os U9s não vão terminar a partir de 2021/22 e os U10s serão extintos a partir do final dessa temporada.

“Com este passo queremos alcançar mais liberdade criativa no tempo de lazer das crianças muito jovens, que também têm a oportunidade de experimentar outros desportos.”

Holger Seitz, vice-presidente no campus do FC Bayern, disse: " FC Bayern está ciente de sua responsabilidade social, especialmente para os jovens jogadores de futebol na área de Munique e nas regiões vizinhas.

"Com este passo, as crianças devem poder desenvolver-se mais tempo no seu ambiente habitual do clube doméstico sem pressão para realizar e sem tempo adicional."

Peter Wenninger, diretor desportivo para os grupos etários sub15, acrescentou: " Com este passo queremos alcançar mais liberdade criativa no tempo de lazer das crianças muito jovens, que também têm a oportunidade de experimentar outros desportos.

"Estudos a longo prazo mostraram que a aprendizagem de diferentes habilidades desportivas e habilidades podem ter um impacto positivo no desempenho do futebol de todos."

Em resposta, o gerente da Academia do Manchester United, Nick Cox, twittou: "Se isto for verdade, verá a continuação de uma tendência já tomada no futebol sueco, futebol americano, Rugby. Muito interessante."

“La Liga”: Programa TV Internacional

Análise, debate, troca de opiniões e partilha de conhecimentos, sempre com o futebol como pano de fundo e com um dos melhores campeonatos do mundo no centro da conversa. Miguel Cardoso tem sido regularmente convidado para participar no programa.

Elite Soccer

Convenção NSCAA

Aspire in the World Fellows